segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pegadinhas da língua portuguesa em concursos e vestibulares - Parte III

Pegadinha 11
Vou mostrar-lhe meu caderno, mas não repare a desorganização.
O verbo reparar assume dois significados. O que irá determiná-los é a presença ou não da preposição em. Veja, a seguir:

Com a preposição em significa notar, observar:
Repare nos exemplos que damos nesta lição de gramática.
Entre, mas não repare na bagunça.
Posso escrever, porém não reparem em meus erros de português.

Sem a preposição em, significa consertar, indenizar:
O técnico reparou o computador que estava avariado.
A empresa reparou os danos causados.
O juiz condenou o prefeito a reparar os prejuízos sofridos pelos camelôs.
O mecânico reparará o motor do carro.
Então escreve-se corretamente a frase original da seguinte maneira:
Vou mostrar-lhe meu caderno, mas não repare na desorganização.

Pegadinha 12
Residente à Rua Joana Sartóri.
As palavras residente, morador, situado e sua forma reduzida sito não admitem a preposição para ligar-se ao respectivo logradouro, mas, sim, a preposição locativa em. Não se diz, por exemplo, que um imóvel está situado a Campinas, porém em Campinas. Veja os exemplos que seguem:

O escritório, sito na Rua Filisbina, recebe seus clientes de segunda a sexta-feira.
O prédio está situado na Avenida Duque de Caxias.
Márcio, morador na Travessa Cotia, prestou depoimento ontem.
Resido na Alameda Tabajara.
A frase do topo escrita corretamente fica assim:
Residente na Rua Joana Sartóri.

Pegadinha 13
Costuma se fazer bons negócios nesta feira.
O verbo concorda com o seu sujeito, na voz passiva. Observe que temos dois verbos, um auxiliar e outro, principal. Veja outros exemplos de uso da voz passiva em situações semelhantes:

Não se podem prever essas situações. (Não podem ser previstas essas situações.)
Devem-se devolver os crachás ao final do evento. (Devem ser devolvidos os crachás ao final do evento.)
A frase inicial estaria corretamente escrita da seguinte maneira:
Costumam se fazer bons negócios nesta feira.

Pegadinha 14
Não exceda da dosagem alcoólica permitida.
O verbo exceder não admite preposição. Outros exemplos:

O motorista foi multado porque excedeu os limites de peso de carga de seu caminhão. (Errado: O motorista foi multado porque excedeu dos limites de peso de carga de seu caminhão.)
Lotação: 42 passageiros. Não exceda este limite. (Errado: Lotação: 42 passageiros. Não exceda deste limite.)

O certo seria escrever a frase original do seguinte modo:
Não exceda a dosagem alcoólica permitida.

Pegadinha 15
Não estacione! Sujeito a guincho.
Nada pode estar sujeito a um objeto que, neste caso, é o guincho, mas sim a uma ação, que seria a de guinchamento. Em outras hipóteses, os que transgridem a lei penal estão sujeitos a prisão, mas não a preso; se a transgressão for grave, podem até estar sujeitos a banimento, mas não a banido; como também, uma latinha de cerveja, no freezer, está sujeita a congelamento, mas não a gelo. A frase inicial, corretamente grafada, ficaria assim:
Não estacione! Sujeito a guinchamento.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pegadinhas da língua portuguesa em concursos e vestibulares - Parte II

Pegadinha 6
Inglaterra confirma invasão ao Iraque.
Jamais poderá ocorrer invasão a lugar algum. Porém, o que é possível acontecer é invasão de algum lugar. Escreve-se com correção, assim:
Inglaterra confirma invasão do Iraque.
Veja, a seguir, outros exemplos corretamente escritos:
Invasão de privacidade.
Invasão de domicílio.
A invasão do estádio pela polícia deu-se às 20 horas de ontem.

Pegadinha 7
O acidente aconteceu porque o motorista dormiu no volante.
Para que alguém consiga dormir no volante, é necessário que este seja, no mínimo, do tamanho de uma cama. Convenhamos, volantes desse tamanho ainda não foram fabricados. Então, melhor seria dormir no banco do automóvel ou, mais adequadamente, em uma cama com mais conforto. Quem dorme bem, dorme em algum lugar. Já "dormir próximo" ou "junto" significa dormir a (preposição) com o respectivo artigo (o ou a).
O correto seria escrever:
O acidente aconteceu porque o motorista dormiu ao volante.
A seguir, outros exemplos de frases corretamente grafadas:
A moça dormiu ao computador.
O marinheiro dormiu ao timão.
Romeu dormia à janela de Julieta.

Pegadinha 8
Marcos é um parasita da mulher.
Parasita, com a final, é denominação exclusiva de certas plantas. Para pessoas e animais, usa-se parasito.
O correto seria escrever:
Marcos é um parasito da mulher.
Eis outros exemplos de frases corretamente grafadas:
Raquel age como um parasito da mãe.
Há sujeitos que são autênticos parasitos da sociedade.
A pulga é um parasito, como também o é o carrapato.
Precisamos exterminar as parasitas que estão nessa árvore.
As parasitas debilitaram nosso pomar.

Pegadinha 9
Confesso que me simpatizei com ela.
O verbo simpatizar, como também seu antônimo antipatizar não são empregados com pronomes. Portanto, escreve-se correto grafando-se assim:
Confesso que simpatizei com ela.
Abaixo, seguem outros exemplos de frases corretamente escritas:
Você simpatizou com a moça, mas ela antipatizou com você.
Antipatizo com políticos em geral.
Simpatizamos com a nova professora.
Eles antipatizam conosco.

Pegadinha 10
Ela quer se aparecer.
Certos verbos são essencialmente pronominais, como suicidar-se. Outros, porém, jamais podem ser usados com pronomes, como os verbos da dica anterior, simpatizar ou antipatizar. Trazemos um desses verbos que jamais são usados com pronome, que é o verbo aparecer. Esse é um típico verbo intransitivo. Não admite voz reflexiva, objetos de espécie alguma. Não se pode aparecer ninguém e, também, aparecer a si mesmo.
Escreve-se corretamente, assim:
Ela quer aparecer.


Fonte: 126 Pegadinhas em Língua Portuguesa - E-book disponível em http://www.softwareebookecia.com
 (adaptado).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Dicas úteis para a correta utilização da Língua Portuguesa

DICA 01
Muitas vezes ouvimos alguém dizer: - Eu deveria ter trago o livro. O certo é dizer: Eu deveria ter trazido o livro.
Comentário: Existem os verbos abundantes. Possuem dois particípios (regular/irregular): trazido/trago, imprimido/impresso, matado/morto etc. Com o regular, devemos usar ter e com o irregular devemos usar ser. Por exemplo: ter matado/ ser morto.

DICA 02
Ir ao encontro: Em favor de. "A tua resolução veio ao encontro dos meus desejos." Na direção de: Caminhou ao encontro do amigo.
Ir de encontro quer dizer em contradição com; contra. Exemplo: "O carro foi de encontro ao muro."

DICA 03
Xerox ou xérox? As duas pronúncias estão corretas, devemos nos atentar apenas para o acento. Usando tais palavras estaremos incorrendo em metonímia: a marca pelo produto. Cópia ou fotocópia poderá substituir.

DICA 04
Recorde ou "récorde": a pronúncia correta é com a sílaba tônica na penúltima sílaba, pois a palavra não possui qualquer acento gráfico para classificá-lo como proparoxítona. A mesma regra é aplicada à palavra rubrica. Veja que não tem acento gráfico.

DICA 05
Como devemos escrever as horas? São utilizadas duas maneiras (embora a segunda seja a mais aceita): 18h52 ou 18h52min. Quando os segundos são mencionados, grafa-se da seguinte maneira: 15h42min10 ou 15h42min10s. Não se usa ponto, a não ser que seja no final da frase. A escrita de metro deve ser "m" somente, nada de 10 mts.

DICA 06
Duzentas gramas ou duzentos gramas? A segunda opção é a correta, pois o sistema de medidas é masculino: quilogramas, gramas etc.

DICA 07
Como escrever a partir e bife a cavalo? É comum se ver escrito em anúncios o "a" com acento indicativo de crase, todavia a regra dispõe que diante de verbo e de palavras masculinas não ocorre crase.

DICA 08
"Subcídio" ou "subzídio"? Na palavra subsídio, o "s" tem som de "c" e não de "z".

DICA 09
Quando usar "a" ou "há"? O "a" usa-se quando se referir ao futuro, o "há" refere-se ao passado. Exemplo: 1) Daqui a dois dias farei a prova. 2)  dois dias não o vejo (que quer dizer "faz dois dias que não o vejo". Nunca use "fazem dois dias").

DICA 10
Está certo falar "se eu ver a Maria"? Não, está errado. O correto é falar "se eu vir a Maria" ou "se eu a vir".

DICA 11
Assistir o filme ou assistir ao filme? O certo é "assistir ao filme", pois o verbo assistir nesse caso é transitivo indireto. É transitivo direto quando significar ajudar, prestar assistência: "O médico assistiu o paciente".

DICA 12
Cito algumas abreviaturas: h = hora(s), kg = quilograma, = metro(s). O ponto só deve ser colocado se a frase tiver acabado.

DICA 13
A palavra "champagne" aportuguesada fica champanha, e é masculina, por isso devemos dizer: "Vamos tomar um champanha?
Também são masculinas (Cegalla, 1984, p. 119):  (pena), sósiaherpespernoitepúbis. São palavras femininas: omoplatalibidocal,cataplasma.

DICA 14
Algumas pessoas falam "Se caso eu for...". As conjunções SE e CASO devem ser empregadas separadamente: "Se eu for" ou "Caso eu vá".

DICA 15
Uso dos porquês. Porque = ,pois: "Passou na prova, porque estudou bastante". O porquê é substantivo, geralmente é precedido de artigo: "Não sei o porquê de tua pergunta". Por que pode ser substituído por motivo pelo qual. Exemplos: a. Por que o evento não aconteceu? b. Não sei por que isso aconteceu.

DICA 16
Não diga (o certo é):
- Menas (sempre menos)
- Iorgute (iogurte)
- Mortandela (mortadela)
- Mendingo (mendigo)
- De menor, de maior (é simplesmente maior ou menor de idade)
- Cardaço (cadarço)
- Asterístico (asterisco)
- Beneficiente (beneficente - lembre-se de Beneficência Portuguesa)
- Meia cansada (meio cansada)

DICA 17
Escreva:
- Mal - quando trocar por bem;
- Mau - quando trocar por bom.

DICA 18
Homens dizem OBRIGADO e mulheres dizem OBRIGADA.

DICA 19
Para EU fazer, para EU comprar, para EU comer, e não para MIM fazer, para MIM comprar ou para MIM comer. Pode-se usar o MIM quando a oração terminar: Maria, você trouxe o livro para mim?

DICA 20
Não é eu VOU ESTAR MANDANDO, VOU ESTAR PASSANDO, VOU ESTAR VERIFICANDO, e sim EU MANDAREI ou EU VOU MANDAR, PASSAREI ou VOU PASSAR e VERIFICAREI ou VOU VERIFICAR (muito mais simples, mais elegante e CORRETO).


Contribuição de Viviane Righi

sábado, 19 de novembro de 2011

Pegadinhas da língua portuguesa em concursos e vestibulares - Parte I

É muito comum nos depararmos com as famosas pegadinhas em provas de concursos e vestibulares. Selecionei algumas para postar aqui, pois é muito comum sermos pegos nessas "armadilhas" da língua portuguesa. Então, vamos lá!


Pegadinha 1
Desculpem o transtorno.
O verbo desculpar é transitivo direto e indireto, isto é, ele possui dois objetos: um direto e outro indireto. A ordem em que esses objetos figuram na oração é indiferente. Pode vir primeiro o objeto direto, depois o indireto, ou vice-versa. Trocando em miúdos, quem desculpa, desculpa alguém por alguma coisa. O objeto direto é sempre uma pessoa e o indireto é alguma coisa. Seria muito desagradável, neste caso, procurar o transtorno para desculpá-lo por alguma coisa que tenha feito de errado. Será que foi o transtorno quem escreveu essa frase?
O correto seria escrever:
Desculpem-nos pelo transtorno.


Pegadinha 2
Agradecemos a preferência.
Vamos aprender a agradecer em bom português. Muita gente boa agradece mal aos seus clientes por falta de conhecimento de transitividade verbal. O verbo agradecer, nessa construção, possui outra regência, que o transforma num transitivo indireto acompanhado de um adjunto adverbial de causa. Na frase errada, acima, o
agradecimento é dirigido à causa (= a preferência) e não ao seu agente (= o cliente ou os clientes).
Para agradecer, corretamente, deve-se escrever assim:
Agradecemo-lhes pela preferência.
ou
Agradecemos aos nossos clientes pela preferência.


Pegadinha 3
São os banqueiros que acabam lucrando.
Neste tópico de dicas de português para concursos, a expressão é que não é genuinamente um verbo. Trata-se simplesmente de uma locução de realce, que a usamos, evidentemente, para dar destaque à ideia expressa na frase. Por tratar-se de um mero adorno frasal, essa locução é totalmente dispensável sem prejuízo para o sentido da oração.
Exemplo:
É os banqueiros que acabam lucrando. = Os banqueiros acabam lucrando. (A igualdade é de significação, é lógico.)
Mais exemplos:
Só nós dois é que sabemos o quanto nos queremos bem. (Letra de canção portuguesa.)
Seria ridículo dizer: Só nós dois somos que sabemos o quanto nos queremos bem. A frase original pode ser escrita, sem nenhum prejuízo para a sua significação: Só nós dois sabemos o quanto nos queremos bem.
É eles que representarão o presidente. Essa frase está correta. Estaria incorreta se fosse escrita assim: São eles que representarão o presidente. Se eliminarmos do contexto a expressão de realce é que, veremos que o sentido é o mesmo: Eles representarão o presidente.
Muito cuidado! Nas questões de português, sobre concordância verbal, as organizadoras de vestibulares e concursos públicos costumam usar, de vez em quando, frases desse tipo, induzindo o vestibulando ou concursando a considerá-las incorretas.
Concluindo, indicamos como escrita correta da frase do topo a seguinte construção:
É os banqueiros que acabam lucrando.
ou
Os banqueiros é que acabam lucrando.
Lembrar: é que – é uma locução de realce.


Pegadinha 4
Gostaria de colocar minha opinião.
Opiniões não se colocam, se expõem ou se dão. Há também quem gosta de, ao final de um discurso, fazer uma colocação em vez de fazer uma exposição, que é muito mais coerente e elegante. O correto seria escrever:
Gostaria de expor minha opinião.
ou
Gostaria de dar minha opinião.


Pegadinha 5
Vou explicar nos mínimos detalhes.
Veja como, às vezes, o excesso atrapalha.
Há expressões, em nossa língua, classificadas como pleonasmos viciosos, que revelam a precariedade linguística de quem os escreve ou assim fala. Nesta dica de português, estamos diante de uma dessas excrescências. Pleonasmo é a repetição de palavras ou expressões de mesmo sentido. A expressão viciosa "nos mínimos detalhes" equivale a aberrações como "subir pra cima", "descer pra baixo", "chutar com os pés" etc. Em "detalhe" já está contida a ideia de mínimo. Detalhe significa pormenor, minúcia, no mínimo.
Se se pretendesse fazer a explicação em suas mínimas partes, seria suficiente fazê-la em detalhes, ou em seus pormenores, ou ainda em minúcias. Então escrevamos corretamente:
Vou explicar em detalhes. 
ou
Vou explicar detalhadamente.

Fonte: 126 Pegadinhas em Língua Portuguesa - E-book disponível em http://www.softwareebookecia.com.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ambiguidade é defeito de construção

Nicole Richie colocou silicone no cirurgião de Kate Hudson

O título acima é um daqueles que merecem lugar de honra na galeria das célebres frases ambíguas. Ao pé da letra, como se diz por aí, o cirurgião de Kate Hudson foi quem recebeu o implante de silicone, colocado por Nicole Richie.
É claro que o leitor dispensa a interpretação absurda, mas não deixa de percebê-la. Sua atenção é, naturalmente, desviada do foco da notícia.
Cabe perguntar o que, linguisticamente, leva a essa duplicidade de sentidos na frase. Na linguagem popular, quando dizemos que “fulana colocou silicone”, queremos dizer que ela recebeu implantes de silicone no corpo – quem os colocou não foi ela, mas, por óbvio, o cirurgião. Ora, se fosse apenas “Nicole Richie colocou silicone”, a frase possivelmente não despertaria a atenção, mas a segunda parte (“no cirurgião de Kate Hudson”) é que tira da rota o sentido pretendido.
O que se pretendia dizer era o seguinte:
Cirurgião de Kate Hudson colocou silicone em Nicole Richie
Pode, entretanto, o redator entender que a ênfase da notícia sofreria alteração com essa mudança, já que passaria a recair sobre o cirurgião, não sobre Nicole Richie. Nesse caso, resta dar tratos à bola para encontrar a formulação ideal – sem ferir o princípio da clareza!
Seguem, abaixo, mais sugestões:
Nicole Richie teve silicone implantado por cirurgião de Kate Hudson
Silicone de Nicole Richie foi posto por cirurgião de Kate Hudson

Por Thaís Nicoleti