quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uso da vírgula

Como uma irreverente introdução ao assunto desse post, que é o uso da vírgula, segue abaixo um texto já bem conhecido por circular na internet. Embora eu não conheça a autoria, parabenizo o autor pela criatividade ao expor o assunto! 

Sobre a Vírgula

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis...
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.

Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.

* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

* * * * *

Bom, pelo que se pôde ver, a vírgula é algo que merece maior atenção, pois seu uso incorreto pode causar grandes confusões e comprometer o sentido do texto. Pesquisei sobre o assunto na gramática do famoso linguista Evanildo Bechara, em sua edição mais atualizada, e repasso para vocês o que nela é explicado. Segue o texto na íntegra:

Vírgula - Emprega-se a vírgula:

a) para separar termos coordenados, ainda quando ligados por conjunção (no caso de haver pausa).
"Sim, eu era esse garção bonito, airoso, abastado" [MA.1, 48].
- "Ah! brejeiro! Contanto que não te deixes ficar aí inútil, obscuro, e triste" [MA.1, 93].

OBSERVAÇÃO: Na série de sujeitos seguidos imediatamente de verbo, o último sujeito da série não é separado do verbo por vírgula:
Carlos Gomes, Vítor Meireles, Pedro Américo, José de Alencar tinham-nas começado [CL.1, I, 102].

b) para separar orações coordenadas aditivas ainda que sejam iniciadas pela conjunção e, proferidas com pausa.
"Gostava muito das nossas antigas dobras de ouro, e eu levava-lhe quanta podia obter" [CL.1, I, 53].
"No fim da meia hora, ninguém diria que ele não era o mais afortunado dos homens; conversava, chasqueava, e ria, e riam todos" [CL. 1, I, 163].

c) para separar orações coordenadas alternativas (ou, quer, etc), quando proferidas com pausa:
Ele sairá daqui logo, ou eu me desligarei do grupo.

OBSERVAÇÃO: Vigora esta norma quando ou exprimir retificação:
Teve duas fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome, que eu de nome não curo [MA. 1,52].
Se denota equivalência, não se separa por vírgula o ou posto entre dois termos: Solteiro ou solitário se prende ao mesmo termo latino.

d) nas aposições, exceto no especificativo:
"ora enfim uma casa que ele meditava construir, para residência própria, casa de feitio moderno..." [MA. 1, 238].

e) para separar, em geral, os pleonasmos, e as repetições (quando não têm efeito superlativamente).
"Nunca, nunca, meu amor!" [MA. 1, 55].
A casa é linda, linda.

f) para separar ou intercalar vocativos; nas cartas a pontuação é vária (em geral, vírgula), e na redação oficial usam-se dois pontos.

g) para separar as orações adjetivas de valor explicativo:
"perguntava a mim mesmo por que não seria melhor deputado e melhor marquês do que o lobo Neves, - eu, que valia mais, muito mais do que ele, - ..." [MA. 1, 137].

h) para separar, quase sempre, as orações adjetivas restritivas de certa extensão, principalmente quando os verbos de duas orações diferentes se juntam:
"No meio da confusão que produzira por toda a parte este acontecimento inesperado e cujo motivo e circunstâncias inteiramente se ignoravam, ninguém reparou nos dois cavaleiros..." [AH. 1, 210].

OBSERVAÇÃO: Esta pontuação deve ocorrer ainda que separe por vírgula o sujeito expandido pela oração adjetiva:
Os que falam em matérias que não entendem, parecem fazer gala da sua própria ignorância [MM].

i) para separar as orações intercaladas:
"Não lhe posso dizer com certeza, respondi eu" [MA. 1, 183].

j) para separar, em geral, adjuntos adverbiais que precedem o verbo e as orações adverbiais que vêm antes ou no meio da sua principal:
"Eu mesmo, até então, tinha-vos em má conta..." [MA. 1, 185].
"mas, como as pestanas eram rótulas, o olhar continuava o seu ofício..." [MA. 1, 183].

k) para separar, nas datas, o nome do lugar:
Rio de Janeiro, 8 de agosto de 1961.

l) para separar as partículas e expressões de explicação, correção, continuação, conclusão, concessão:
"e, não obstante, havia certa lógica, certa dedução" [MA. 1, 89].
Sairá amanhã, aliás, depois de amanhã.

m) para separar as conjunções e advérbios adversativos (porém, todavia, contudo, entretanto), principalmente quando pospostos:
"A proposta, porém, desdizia tanto das minhas sensações últimas..." [MA. 1, 87].

n) para indicar, às vezes, a elipse do verbo:
Ele sai agora: eu, logo mais.

o) para assinalar a interrupção de um seguimento natural das ideias e se intercala um juízo de valor ou uma reflexão subsdiária.

p) para desfazer possível má interpretação resultante da distribuição irregular dos termos da oração, separa-se por vírgula a expressão deslocada:
De todas as revoluções, para o homem, a morte é a maior e a derradeira [MM].

Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Fronteira, 2009. 37ª edição, p. 609-610.

* * * * *

Como se pôde ver, existem muitas regras para o emprego da vígula. É claro que é difícil decorar todas essas regras, mas é bom lê-las e recorrer a elas em caso de dúvida. E, mais uma vez, reforço que a prática da boa leitura também contribui muito para a fixação de certas regras, o que muitas vezes se dá de maneira inconsciente, porém, não menos eficaz.

Até a próxima!

4 comentários:

Viviane Righi disse...

Excelente!
Muitas pessoas ainda tem muitos problemas com a vírgula. Mas creio que ela pode não ser um bicho de sete cabeças como muitas pessoas a consideram... com boa vontade em aprender tudo é possível!

O blog está maravilhoso... parabéns e sucesso pra vc!

Alberto Aeraph disse...

Gostei muito do Blog.
Vou sempre dar uma olhada para tirar minhas dúvidas.
Parabéns!!!

Luciana disse...

Obrigada e voltem sempre que desejar!

Alberto, Jovem Jovem disse...

Esse blog é show. Gostei muito.