sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pleonasmos

Pleonasmo é uma figura de linguagem muito recorrente, tanto na fala como na escrita. Trata-se do emprego de redundâncias, de repetições de palavras ou expressões de mesmo sentido, com a finalidade de reforçar ou enfatizar a expressão.

Alguns exemplos comuns de pleonasmos na língua portuguesa:

* Foi o que vi com meus próprios olhos. - Só se pode ver com os próprios olhos.

* Perdoe-lhe pelo divino amor de Deus! - Deus é divino. Logo, tudo o que é relativo a Deus é divino.

* Explicou a tarefa nos mínimos detalhes. - Detalhe quer dizer: pormenor, particularidade, minúcia. Não precisa da palavra mínimos para se referir a detalhes.

* A mim restam-me as lágrimas. - Mim e me funcionam como sinônimos.

* O acabamento final será feito conforme o gosto do cliente. - Acabamento já se refere a final.

* Olha pra você ver! - Só se olha com a finalidade de ver, de enxergar.

* Os dinossauros foram extintos milhões de anos atrás. - O verbo haver, nesse caso, indica que já se passaram milhões de anos. Portanto, dispensa-se o uso da palavra atrás.

Temos muitos outros exemplos de pleonasmos na nossa língua. É o caso das expressões: subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro, sair para fora, cego dos olhos, encarar de frente, conviver junto, amanhecer o dia, comparecer pessoalmente, surpresa inesperada, certeza absoluta, elo de ligação, fato real, ambos os dois, pleonasmo redundante (esse foi redundantemente proposital).

Com um pouquinho de atenção, dá para evitar o uso dos pleonasmos, principalmente na linguagem escrita. Na fala, é mais difícil monitorar esses vícios de linguagem, mas é só ficar mais atento para não fazer feio em uma entrevista de emprego, em uma reunião de negócios ou em uma apresentação pública, por exemplo. Já em casa, com os amigos ou em ambientes menos formais, tudo é permitido! Como dizia minha professora de linguística: "Não existe o certo e o errado em uma língua. O que existe são maneiras diferentes de se expressar". Como para tudo nessa vida, cabe aí o bom senso.

Bom fim de semana a todos e até mais!

P.S.: não se esqueçam de participar da enquete ao lado!

domingo, 18 de abril de 2010

Curiosidades - Et coetera

Afinal de contas, o que quer dizer o termo etc., que tanto vemos e usamos no nosso dia-a-dia?

De acordo com o nosso dicionário, etc. é a "abreviação da locução latina et coetera, que significa e o mais, e outras coisas". É normalmente utilizada no fim de uma frase para representar a continuação lógica de uma série ou enumeração.

Vale lembrar que não se deve usar o "e" antes de etc., já que o termo quer dizer "e outras coisas". Ficaria sem sentido escrever, por exemplo, "... comprei tomate, cebola, pimentão e e outras coisas". É válido lembrar ainda que o etc. deve vir obrigatoriamente com o ponto, já que se trata de uma abreviação.

O etc., embora algumas vezes aplicado desta forma, não deve ser utilizado para se referir a pessoas. Deve-se utilizar a expressão et alii (abreviação et al., significa "e os outros").

Hífen

De acordo com o novo acordo ortográfico, as regras para o uso do hífen mudaram.

Segue abaixo um resumo sobre as novas regras para o uso desse sinal diacrítico, que tanto nos confunde quanto ao seu emprego.

Não se emprega o hífen:

1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se em r ou s. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, microssistema, minissaia, microrradiografia etc.
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoescola, infraestrutura etc.
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos des- e in- e o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, inábil, desumidificar etc.
4. Nas formações com o prefixo co-, mesmo quando o segundo elemento começar com o: cooperação, coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir etc.
5. Em certas palavras que com o uso adquiriram noção de composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedista etc.
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfeito, benquerer, benquerido etc.

Emprega-se o hífen:

1. Nas formações em que o prefixo tem como segundo termo uma palavra iniciada por h: sub-hepático, eletro-higrómetro, geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hospitalar, super-homem.
2. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal do segundo elemento: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação etc.

Obs.: O hífen é suprimido quando para formar outros termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.

Fonte: Site Brasil Escola - http://www.brasilescola.com/acordo-ortografico/hifen-o-que-mudou.htm