sábado, 8 de maio de 2010

Desapercebido ou despercebido?

Desapercebido ou despercebido? Parecem palavras sinônimas, mas não são.

Observe as frases abaixo. Qual você acha que está correta?

a) Ele passou tão desapercebido que ninguém deu pela sua passagem.
b) Ele passou tão despercebido que ninguém deu pela sua passagem.

A resposta correta é a letra "b". Por quê? Bom, vamos às explicações.

Repare na distinção entre os dois termos:

-> Desapercebido - significa desprevenido, desguarnecido, desacautelado.

Exemplo:

Você é tão desapercebido... Não percebeu que ela estava brincando contigo?

-> Despercebido = significa que não se vê, não se ouve, não se nota ou mal se sente.

Exemplo:

Com um gesto despercebido, ele roubou-lhe a carteira.

Com esta palavra também se formam as seguintes expressões:

- fazer-se despercebido = fingir que não se percebe alguma coisa.
- passar despercebido = passar sem ser notado.

São diferenças sutis na grafia das palavras que acabam por confundir um pouco o sentido das mesmas e acabam por estas serem empregadas equivocadamente. Mesmo em textos muito bem escritos, nos deparamos com alguns "tropeços" no uso da língua.

Portanto, é bom ficarmos atentos para não fazermos feio em textos mais importantes, como provas de vestibular ou de concursos, na elaboração de currículos, ao redigirmos uma redação em uma seleção de emprego etc.

É sempre bom atualizarmos os conhecimentos da nossa língua, acompanharmos as mudanças, adotarmos o hábito de consultar o dicionário e a gramática, sempre que houver dúvidas. Afinal, é a única língua falada (oficialmente) aqui no Brasil, e acho que esta merece ser bem escrita e falada, sempre que possível.

Até mais!

terça-feira, 4 de maio de 2010

As Origens da Língua Portuguesa

A língua portuguesa é uma língua neolatina, formada da mistura de muito latim vulgar e da influência árabe e das tribos que viviam na região. Sua origem está altamente conectada a outra língua - o galego-, mas o português é uma língua própria e independente. Apesar da influência dos tempos tê-la alterado, adicionando vocábulos franceses, ingleses, espanhóis, ela ainda tem sua identidade única, sem a força que tinha no seu ápice, quando era quase tão difundida como agora é o inglês.
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No oeste da Península Ibérica, na Europa Ocidental, encontram-se Portugal e Espanha. Ambos eram domínio do Império Romano há mais de 2.000 anos, e estes conquistadores falavam latim, uma língua que eles impuseram aos conquistados. Mas não o latim culto, usado pelas pessoas cultas de Roma e escrito pelos poetas e magistrados, mas o popular latim vulgar, falado pela população em geral. Isto aconteceu porque a população local entrou em contato com soldados e outras pessoas menos cultas, não magistradas.

Evidentemente, não podemos simplesmente desprezar a influência linguística dos conquistados. Estes dialetos falados na península e em outros lugares foram regionalizando a língua. Também devemos considerar a influência árabe, que inseriu muitos termos nos romanços (do latim romanice, que quer dizer "falar à maneira dos romanos"), até a Reconquista. Este processo formou vários dialetos, que são os romanços. Quando o Império Romano caiu no século V, este processo se intensificou e vários dialetos foram se formando.
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No caso específico da península, surgiram dialetos que acabaram se tornando línguas, como o catalão, o castelhano e o galego-português (falado na faixa ocidental da península). Foi este último que gerou o português e o galego (mais tarde, uma língua falada apenas na região de Galiza, na Espanha). O galego-português existiu apenas durante os séculos XII, XIII e XIV, na época da Reconquista. Após esse período, foram aparecendo, cada vez mais, diferenças entre o galego e o português. Este último era falado no sul da faixa ocidental da província, na região de Lisboa. Esta língua consolidou-se com o tempo e com a expansão do Império Português.

Do século XII ao século XVI, falava-se uma forma arcaica de português, ainda com a influência do galego. Foi com essa linguagem que escreveram os trovadores naquela época, enriquecendo a então paupérrima língua portuguesa, que contava com apenas 5.000 vocábulos no século XII. Esta fase da Língua Portuguesa termina com a nomeação de Fernão Lopes como cronista-mor da Torre do Tombo, em 1.434. Mas apenas a partir do século XVI, com a intensa produção literária renascentista de Portugal, especialmente a de Camões, o português uniformiza-se e adquire as características atuais da língua. Em 1.536, Fernão de Oliveira publicou a primeira Gramática da Linguagem Portuguesa, consolidando-a definitivamente.


Luís Vaz de Camões

Fonte: http://eduquenet.net/origemlingua.htm (adaptado)

Algumas dicas úteis

Seguem abaixo algumas situações básicas do nosso português que normalmente geram dúvidas. É bom ficarmos atentos a alguns detalhes, pois tratam-se de equívocos muito frequentes no cotidiano de grande parte da população.

Vale lembrar que a linguagem virtual (usada em chats, MSN, orkut etc.) tem contribuído (e muito) para a desconstrução do bom português, principalmente do português escrito. Vamos ficar atentos e não nos deixarmos levar por essas influências, que podem nos fazer "desaprender" muitas coisas em relação ao nosso idioma.

Então, vamos lá!

1. O verbo haver no sentido de existir não vai para o plural

Exemplos:

Houve problemas no desembarque dos passageiros.

Sempre houve brincadeiras diferenciadas nesta escola.

Observação: se fosse usado o verbo existir, este, sim, iria para o plural.

2. Nada haver ou nada a ver?

Não faz nenhum sentido escrever nada haver quando a intenção é dizer que uma coisa não tem relação com outra, que não diz respeito a outra. Neste caso, usa-se nada a ver.

Exemplo:

Esse assunto não tem nada a ver com o que estávamos conversando.

Observação: em Portugal, onde haver também é sinônimo de receber, se fala ter a haver. Mas a expressão não é usual aqui no Brasil.

3. Meio dia e meio ou meio dia e meia?

Meio dia e meio não faz muito sentido. Seria o mesmo que dizer um dia inteiro, já que meio dia mais meio é igual a um dia (não riam da minha explicação!). Já meio dia e meia significa que é meio dia mais meia hora, que está subentendida na expressão. Portanto, o correto é usar meio dia e meia.

4. Meio ou meia?

Não se fala ou escreve, por exemplo: "A maçã está meia verde". Esse meia dá ideia de metade. O correto seria "A maçã está meio verde", que significa que a maçã está um pouco verde, ou mais ou menos verde. Se houver dúvidas, é só substituir a palavra meio ou meia por metade ou mais ou menos, e ver o que encaixa melhor na estrutura da frase.

Exemplos:

Junte meia medida de leite aos outros ingredientes. (meia = metade)

A mãe de Joana estava meio preocupada hoje. (meio = um pouco, mais ou menos)

5. Nenhum e nem um

Nenhum é um pronome indefinido e significa nulo, inexistente. Já nem um é uma sequência formada por nem (advérbio) e um (numeral), e significa nem sequer um, nem mesmo um.

Exemplos:

Não havia nenhuma pessoa lá quando cheguei.

Não gostei nem um pouco disso.