sábado, 19 de novembro de 2011

Pegadinhas da língua portuguesa em concursos e vestibulares - Parte I

É muito comum nos depararmos com as famosas pegadinhas em provas de concursos e vestibulares. Selecionei algumas para postar aqui, pois é muito comum sermos pegos nessas "armadilhas" da língua portuguesa. Então, vamos lá!


Pegadinha 1
Desculpem o transtorno.
O verbo desculpar é transitivo direto e indireto, isto é, ele possui dois objetos: um direto e outro indireto. A ordem em que esses objetos figuram na oração é indiferente. Pode vir primeiro o objeto direto, depois o indireto, ou vice-versa. Trocando em miúdos, quem desculpa, desculpa alguém por alguma coisa. O objeto direto é sempre uma pessoa e o indireto é alguma coisa. Seria muito desagradável, neste caso, procurar o transtorno para desculpá-lo por alguma coisa que tenha feito de errado. Será que foi o transtorno quem escreveu essa frase?
O correto seria escrever:
Desculpem-nos pelo transtorno.


Pegadinha 2
Agradecemos a preferência.
Vamos aprender a agradecer em bom português. Muita gente boa agradece mal aos seus clientes por falta de conhecimento de transitividade verbal. O verbo agradecer, nessa construção, possui outra regência, que o transforma num transitivo indireto acompanhado de um adjunto adverbial de causa. Na frase errada, acima, o
agradecimento é dirigido à causa (= a preferência) e não ao seu agente (= o cliente ou os clientes).
Para agradecer, corretamente, deve-se escrever assim:
Agradecemo-lhes pela preferência.
ou
Agradecemos aos nossos clientes pela preferência.


Pegadinha 3
São os banqueiros que acabam lucrando.
Neste tópico de dicas de português para concursos, a expressão é que não é genuinamente um verbo. Trata-se simplesmente de uma locução de realce, que a usamos, evidentemente, para dar destaque à ideia expressa na frase. Por tratar-se de um mero adorno frasal, essa locução é totalmente dispensável sem prejuízo para o sentido da oração.
Exemplo:
É os banqueiros que acabam lucrando. = Os banqueiros acabam lucrando. (A igualdade é de significação, é lógico.)
Mais exemplos:
Só nós dois é que sabemos o quanto nos queremos bem. (Letra de canção portuguesa.)
Seria ridículo dizer: Só nós dois somos que sabemos o quanto nos queremos bem. A frase original pode ser escrita, sem nenhum prejuízo para a sua significação: Só nós dois sabemos o quanto nos queremos bem.
É eles que representarão o presidente. Essa frase está correta. Estaria incorreta se fosse escrita assim: São eles que representarão o presidente. Se eliminarmos do contexto a expressão de realce é que, veremos que o sentido é o mesmo: Eles representarão o presidente.
Muito cuidado! Nas questões de português, sobre concordância verbal, as organizadoras de vestibulares e concursos públicos costumam usar, de vez em quando, frases desse tipo, induzindo o vestibulando ou concursando a considerá-las incorretas.
Concluindo, indicamos como escrita correta da frase do topo a seguinte construção:
É os banqueiros que acabam lucrando.
ou
Os banqueiros é que acabam lucrando.
Lembrar: é que – é uma locução de realce.


Pegadinha 4
Gostaria de colocar minha opinião.
Opiniões não se colocam, se expõem ou se dão. Há também quem gosta de, ao final de um discurso, fazer uma colocação em vez de fazer uma exposição, que é muito mais coerente e elegante. O correto seria escrever:
Gostaria de expor minha opinião.
ou
Gostaria de dar minha opinião.


Pegadinha 5
Vou explicar nos mínimos detalhes.
Veja como, às vezes, o excesso atrapalha.
Há expressões, em nossa língua, classificadas como pleonasmos viciosos, que revelam a precariedade linguística de quem os escreve ou assim fala. Nesta dica de português, estamos diante de uma dessas excrescências. Pleonasmo é a repetição de palavras ou expressões de mesmo sentido. A expressão viciosa "nos mínimos detalhes" equivale a aberrações como "subir pra cima", "descer pra baixo", "chutar com os pés" etc. Em "detalhe" já está contida a ideia de mínimo. Detalhe significa pormenor, minúcia, no mínimo.
Se se pretendesse fazer a explicação em suas mínimas partes, seria suficiente fazê-la em detalhes, ou em seus pormenores, ou ainda em minúcias. Então escrevamos corretamente:
Vou explicar em detalhes. 
ou
Vou explicar detalhadamente.

Fonte: 126 Pegadinhas em Língua Portuguesa - E-book disponível em http://www.softwareebookecia.com.

2 comentários:

Anônimo disse...

NESSA PARTE VC ESCREVEU O objeto direto é sempre uma pessoa e o indireto é alguma coisa.mais não seria ao contrario?

Luciana disse...

Olá, "Anônimo"!

Você está certíssimo, é mesmo o inverso. O objeto direto é sempre um substantivo e o indireto denota um ser animado ou concebido como tal, sempre precedido de preposição.

Obrigada pelo toque e volte sempre que desejar!